segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lendas Brasileiras - Parte I

É um Mito do Brasil que os índios já conheciam desde a época do descobrimento. Índios e Jesuítas o chamavam de Caiçara, o protetor da caça e das matas.
É um anão de Cabelos Vermelhos com Pelo e Dentes verdes. Como protetor das Árvores e dos Animais, costuma punir o os agressores da Natureza e o caçador que mate por prazer. É muito poderoso e forte.
Seus pés voltados para trás serve para despistar os caçadores, deixando-os sempre a seguir rastros falsos. Quem o vê, perde totalmente o rumo, e não sabe mais achar o caminho de volta. É impossível capturá-lo. Para atrair suas vítimas, ele, às vezes chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana. É também chamado de Pai ou Mãe-do-Mato, Curupira e Caapora. Para os Índios Guaranis ele é o Demônio da Floresta. Às vezes é visto montando um Porco do Mato.
Uma carta do Padre Anchieta datada de 1560, dizia: "Aqui há certos demônios, a que os índios chamam Curupira, que os atacam muitas vezes no mato, dando-lhes açoites e ferindo-os bastante". Os índios, para lhe agradar, deixavam nas clareiras, penas, esteiras e cobertores.
De acordo com a crença, ao entrar na mata, a pessoa deve levar um Rolo de Fumo para agradá-lo, no caso de cruzar com Ele.
 
Nomes comuns: Caipora, Curupira, Pai do Mato, Mãe do Mato, Caiçara, Caapora, Anhanga, etc.

Origem Provável: É oriundo da Mitologia Tupi, e os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando da época do descobrimento, depois tornou-se comum em todo País, sendo junto com o Saci, os campeões de popularidade. Entre o Tupis-Guaranis, existia uma outra variedade de Caipora, chamada Anhanga, um ser maligno que causava doenças ou matava os índios. Existem entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das américas Latina e Central. Em El Salvador, El Cipitío, é um espiríto tanto da floresta quanto urbano, que também tem as mesmos atibutos do Caipora. Ou seja pés invertidos, capacidade de desorientar as pessoas, etc. Mas, este El Cipitío, gosta mesmo é de seduzir as mulheres.
Conforme a região, ele pode ser uma mulher de uma perna só que anda pulando, ou uma criança de um pé só, redondo, ou um homem gigante montado num porco do mato, e seguido por um cachorro chamado Papa-mel.

Também, dizem que ele tem o poder de ressuscitar animais mortos e que ele é o pai do moleque Saci Pererê.
Há uma versão que diz que o Caipora, como castigo, transforma os filhos e mulher do caçador mau, em caça, para que este os mate sem saber.

Boi Tatá

É um Monstro com olhos de fogo, enormes, de dia é quase cego, à noite vê tudo. Diz a lenda que o Boitatá era uma espécie de cobra e foi o único sobrevivente de um grande dilúvio que cobriu a terra. Para escapar ele entrou num buraco e lá ficou no escuro, assim, seus olhos cresceram.
Desde então anda pelos campos em busca de restos de animais. Algumas vezes, assume a forma de uma cobra com os olhos flamejantes do tamanho de sua cabeça e persegue os viajantes noturnos. Às vezes ele é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado para outro da mata. No Nordeste do Brasil é chamado de "Cumadre Fulôzinha". Para os índios ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios.
Dizem ainda que ele é o espírito de gente ruim ou almas penadas, e por onde passa, vai tocando fogo nos campos. Outros dizem que ele protege as matas contra incêndios.
A ciência diz que existe um fenômeno chamado Fogo-fátuo, que são os gases inflamáveis que emanam dos pântanos, sepulturas e carcaças de grandes animais mortos, e que visto de longe parecem grandes tochas em movimento.
 
Nomes comuns: No Sul; Baitatá, Batatá, Bitatá (São Paulo). No Nordeste; Batatão e Biatatá (Bahia). Entre os índios; Mbaê-Tata.

Origem Provável: É de origem Indígena. Em 1560, o Padre Anchieta já relatava a presença desse mito. Dizia que entre os índios era a mais temível assombração. Já os negros africanos, também trouxeram o mito de um ser que habitava as águas profundas, e que saía a noite para caçar, seu nome era Biatatá.

É um mito que sofre grandes modificações conforme a região. Em algumas regiões por exemplo, ele é uma espécie de gênio protetor das florestas contra as queimadas. Já em outras, ele é causador dos incêndios na mata. A versão do dilúvio teve origem no Rio Grande o Sul.

Uma versão conta que seus olhos cresceram para melhor se adaptar à escuridão da caverna onde ficou preso após o dilúvio, outra versão, conta que ele, procura restos de animais mortos e come apenas seus olhos, absorvendo a luz e o volume dos mesmos, razão pela qual tem os olhos tão grandes e incandescentes.
 
Mula sem cabeça

Nos pequenos povoados ou cidades, onde existam casas rodeando uma igreja, em noites escuras, pode haver aparições da Mula-Sem-Cabeça. Também se alguém passar correndo diante de uma cruz à meia-noite, ela aparece. Dizem que é uma mulher que namorou um padre e foi amaldiçoada. Toda passagem de quinta para sexta feira ela vai numa encruzilhada e ali se transforma na besta.
Então, ela vai percorrer sete povoados, ao longo daquela noite, e se encontrar alguém chupa seus olhos, unhas e dedos. Apesar do nome, Mula-Sem-Cabeça, na verdade, de acordo com quem já a viu, ela aparece como um animal inteiro, forte, lançando fogo pelas narinas e boca, onde tem freios de ferro.
Nas noites que ela sai, ouve-se seu galope, acompanhado de longos relinchos. Às vezes, parece chorar como se fosse uma pessoa. Ao ver a Mula,deve-se deitar de bruços no chão e esconder Unhas e Dentes para não ser atacado.
Se alguém, com muita coragem, tirar os freios de sua boca, o encanto será desfeito e a Mula-Sem-Cabeça, voltará a ser gente, ficando livre da maldição que a castiga, para sempre
Nomes comuns: Burrinha do Padre, Burrinha, Mula Preta, Cavalo-sem-cabeça, Padre-sem-cabeça, Malora (México),

Origem Provável: É um mito que já existia no Brasil colônia. Apesar de ser comum em todo Brasil, variando um pouco entre as regiões, é um mito muito forte entre Goiás e Mato Grosso. Mesmo assim não é exclusivo do Brasil, existindo versões muito semelhantes em alguns países Hispânicos.

Conforme a região, a forma de quebrar o encanto da Mula, pode variar. Há casos onde para evitar que sua amante pegue a maldição, o padre deve excomungá-la antes de celebrar a missa. Também, basta um leve ferimento feito com alfinete ou outro objeto, o importante é que saia sangue, para que o encanto se quebre. Assim, a Mula se transforma outra vez em mulher e aparece completamente nua. Em Santa Catarina, para saber se uma mulher é amante do Padre, lança-se ao fogo um ovo enrolado em fita com o nome dela, e se o ovo cozer e a fita não queimar, ela é.

É importante notar que também, algumas vezes, o próprio Padre é que é amaldiçoado. Nesse caso ele vira um Padre-sem-Cabeça, e sai assustando as pessoas, ora a pé, ora montado em um cavalo do outro mundo. Há uma lenda Norte americana, O Cavaleiro sem Cabeça, que lembra muito esta variação.

Algumas vezes a Mula, pode ser um animal negro com a marca de uma cruz branca gravada no pelo. Pode ou não ter cabeça, mas o que se sabe de concreto é que a Mula, é mesmo uma amante de Padre. 
 
A Iara
Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
Quando a Mãe das águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo.
Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima.

Origem: Européia com versões dos Indígenas, da Amazônia.


É uma das mais conhecidas lendas do folclore amazônico. Conta a lenda que em numa tribo indígena da Amazônia, uma índia, grávida da Boiúna (Cobra-grande, Sucuri), deu à luz a duas crianças gêmeas que na verdade eram Cobras. Um menino, que recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para ficar livre dos filhos, a mãe jogou as duas crianças no rio. Lá no rio eles, como Cobras, se criaram. Honorato era Bom, mas sua irmã era muito perversa. Prejudicava os outros animais e também às pessoas.
Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por matá-la para pôr fim às suas perversidades. Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em um belo rapaz, deixando as águas para levar uma vida normal na terra.
Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, e fazer um ferimento na cabeça até sair sangue. Ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro.
Até que um dia um soldado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato da maldição. Ele deixou de ser cobra d'água para viver na terra com sua família.

Origem: Mito da região Norte do Brasil, Pará e Amazonas.

Vitória Régia
Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a Lua se escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras, ia viver com suas virgens prediletas. Diziam ainda que se a Lua gostava de uma jovem, a transformava em estrela do Céu. Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada com a história. Então, à noite, quando todos dormiam e a Lua andava pelo céu, Ela querendo ser transformada em estrela, subia as colinas e perseguia a Lua na esperança que esta a visse.
E assim fazia todas as noites, durante muito tempo. Mas a Lua parecia não notá-la e dava para ouvir seus soluços de tristeza ao longe. Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e nunca mais foi vista.
A lua, quis recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente, daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas", que é a planta Vitória Régia. Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.

Origem: Indígena. Para eles assim nasceu a vitória-régia.

Saci Pererê
A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.
É uma criança, um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho, O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem.
Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós em sem caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja.
Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
Nomes comuns: Saci-Cererê, Saci-Trique, Saçurá, Matimpererê, Matintaperera, etc.

Origem Provável: Os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando do Século XIX, em Minas e São Paulo, mas em Portugal há relatos de uma entidade semelhante. Este mito não existia no Brasil Colonial.

Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas.

Também de acordo com a região, ele sofre algumas modificações:
Por exemplo, dizem que ele tem as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Outros dizem que ele faz isso com uma moeda.
Há uma versão que diz que o Caipora, é seu Pai.
Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer.

Ele tem o poder de se transformar no que quiser. Assim, ora aparece acompanhado de uma horrível megera, ora sozinho, ora como uma ave.
O negrinho do pastoreio
O Negrinho do Pastoreio É uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.
Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém-comprados. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ‘‘Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece’’, disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.

Origem: Fim do Século XIX, Rio Grande do Sul.
Papa Figo
O Papa Figo, ao contrário dos outros mitos, não tem aparência extraordinária. Parece mais com uma pessoa comum. Outras vezes, pode parecer como um velho esquisito que carrega um grande saco às costas.
Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como; distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.

Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas.

Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrível doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança. Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família.

Origem: Mito muito comum em todo meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapeuzinho Vermelho. 

Fonte: Arte e Educação.

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Jangadeiro

A jangada faz parte da paisagem de todo o Nordeste e o jangadeiro é cantado em prosa e verso pelos poetas cearenses. Um destes poetas foi Juvenal Galeno. A jangada veio da Ásia, daí seu nome: "xanga". Foi trazida pelo navegador português, no final do século XVI. Ela se adaptou perfeitamente as condições do Nordeste brasileiro, cujas as condições da plataforma e do vento sempre foram favoráveis. O jangadeiro vive da pesca, navegando ao sabor doce das ondas nas embarcações que os portugueses trouxeram da Índia. Este homem condicionou sua existência ao meio ambiente.No meio à brancura angelical das areias brotam os telhados de palha das choças destes pescadores. A terra é árida, a horta reduzida, portanto o homem teve que buscar o alimento de cada dia no mar, fonte quase única de sobrevivência.

A única fruta que não é escassa é o caju e à sua sombra erguem-se os casebres. Apanhar caju é ocupação feminina. Caju rasgado do dente, mastigado com vagar, engolido com bagaço, é segundo uma tradição, remédio purificador do sangue. Dizem os jangadeiros que "Deus mandou o caju para que os pescadores não passassem fome como os matutos do sertão". E realmente, o caju está presente em todos os pratos. Na tambança, o vinho de caju. No canjirão, a castanha pilada e misturada com farinha de mandioca e mel de caju.

“ A jangada, feita de cinco paus e á vela, é a embarcação típica dos nordestinos. No Ceará, os jangadeiros afrontam todos os riscos, no mar, com as suas jangadas. É com elas que se fazem ao largo para voltar horas depois com os “dourados”, “guambas”, “arrabaianos” e outros peixes. Uma Jangada, vale em média, cinco mil cruzeiros.”
 
Aos meninos, com mais de sete anos, cabe-lhes o ofício de desencalhe da jangada do pai, ou de quem lhe peça ajuda. O mar cearense imprimi desde cedo a sua posse à alma destes homens, tanto é fato que, é este um grupo que menos imigra para outras profissões. Todos os pescadores são filhos de pescadores e entre eles existe muita disciplina e solidariedade.. A hierarquia é respeitada.

O mestre tem a função de conduzir a jangada. Seu posto é o banco-do-governo. A jangada possui duas velas, uma mestra e outra menor que chamam de "estais", mas que corresponde a "genoa" na linguagem náutica. Quando içada esta vela, o leme folga. A escota é de nylon e a bolina mede 1,40m, necessária para uma maior estabilidade. A velejada toma duas direções: "contra-vento"e "través".

A navegação é rudimentar, sem uso de equipamentos, nem mesmo uma bússola. O jangadeiro memoriza o lugar de pesca na cabeça e traça uma rota, sem muito comprometimento. O proeiro fica onde melhor equilibrar a jangada e também é responsável de caçar e folgar as velas. Cabe-lhe, além disso, o recolhimento da pesca que é colocada no samburá. O jangadeiro é o herói anônimo cantado e louvado pelos cancioneiros. Ele foi também, o primeiro brasileiro a negar-se de transportar negros escravos, pois sempre acreditou que todas almas são livres para voar pelo mar verde-esperança, cujas vagas acariciam as areias de ouro.

No Movimento Abolicinista Cearense, surgido em 1879, teve um homem humilde, de cor parda e jangadeiro, que destacou-se, seu nome"Chico da Matilde. Ele vinha à frente de todos seus companheiros, recusando-se a transportar para os navios negreiros os escravos vendidos para o sul do país.
Chico da Matilde, foi levado para corte em sua jangada, desfilou pelas ruas recebendo, inclusive chuva de pétalas de flores, ganhando também um novo nome: Dragão do Mar. Símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão, o Dragão do Mar agora designa merecidamente o Centro de Arte e Cultura de Fortaleza.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Lenda do Guaraná

A Lenda do Guaraná, contada pelos índios Maués e que chegou até aos nossos dias, é a seguinte:
Havia outrora na aldeia primitiva dos Maués um casal muito virtuoso. O filho único desse casal era para a tribo, um verdadeiro anjo tutelar. Por sua influência reinava a abastança entre os índios, eram curados os enfermos, apaziguavam-se as rixas, a tribo vivia feliz.
Todos velavam por essa criança providencial.
Mas, um dia Jurupari, o mau espírito, invejoso, aproveitando-se do momento em que o pequeno protetor dos índios subira a uma árvore para colher fruto, iludindo a vigilância da tribo, transformou-se em cobra e atirou-se a ele.
Assim morreu a criança. acharam-na os índios deitada sobre o chão, parecendo dormir, com os olhos abertos e serenos.
Condenado à desventura o povo se lastimava junto ao morto, quando um raio veio do céu interromper os quixumes da tribo. O silêncio se fez e a mãe do pequeno protetor da tribo anunciou que Tupã (Deus) tinha descido para os consolar. Plantassem eles os olhos daquela criança, e, deles haveria de brotar a planta sagrada que daria aos Maués, o alimento para saciar a fome e os lenitivos de seus males e doenças.
Consultaram a sorte para saber quem deveria arrancar tão lindos olhos; regaram com muitas lágrimas a cova que os recebeu. Os mais velhos da tribo permaneceram junto dela para guardaar tão preciosa semente, da qual, pouco depois, brotou a planta do Guaraná.
Fiéis à lenda, devotando-lhe mesmo profunda veneração, os nativos da região afirmam que a semente do guaraná, à época da colheita, ainda na árvore e protegida pelo manto seminal que a envolve, ta a identidade com o globo ocular, possue as mesmas matizes da sua pigmentação: olhos verdes, amarelos azuis, castanhos e negros, dizem, tem a sua correspondência nas amêndoas do guaraná, onde são encontradas todas essas cores
Fonte: E. Roquette Pinto, o Guaraná - Boletim do Ministério da Agricultura, 1914.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Povos indígenas do Brasil

São inúmeras os os grupos indígenas brasileiros, impossível descrever neste post. Para isso recomendamos uma pesquisa no link: http://pib.socioambiental.org/pt  patrocinado pelo Google.
Abaixo, seguem as etnias, línguas e famílias desses povos.
Famílias lingüísticas:
  • Aikaná
  • Arawá
  • Arikém
  • Aruák (Maipure)
  • Awetí
  • Bóra
  • Boróro
  • Chiquíto
  • Guaikurú
  • Yathê
  • Irántxe
  • Jabutí
  • Jurúna
  • Kanoê
  • Karajá
  • Karíb
  • Katukína
  • Kwazá
  • Krenák
  • Makú
  • Mawé
  • Maxakalí
  • Mondé
  • Mundurukú
  • Múra
  • Nambikwára
  • Ofayé
  • Páno
  • Ramaráma
  • Rikbaktsá
  • Tikúna
  • Trumái
  • Tukáno
  • Tuparí
  • Tupí-Guaraní
  • Txapakúra
  • Yanomámi

  • Línguas Crioulas
  • Português
  • Verbetes Especiais - dizem respeito a um conjunto de etnias que, a despeito de falarem diferentes línguas e guardarem entre si uma série de especificidades, habitam uma mesma região e estão articuladas por uma rede de trocas. Já os Timbira, cujos grupos falam uma só língua, encontram-se dispersos e possuem significativas diferenças culturais e históricas no contato com outros índios e com a população não indígena.
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Doce de Leite

doce de leite é um doce tradicional de vários países da América Latina. Apesar de ter um grande apelo brasileiro, não foi aqui que foi inventado. Geralmente é feito ao se ferver leite com açúcar, mas também pode ser obtido cozinhando leite condensado por várias horas ou por cerca de 40 a 60 minutos em panela de pressão.
Ele é usado em balas e outras comidas doces, como bolos, biscoitos ou sorvete. Em alguns lugares, é comido espalhado em torradas. Também é famoso sua utilização para a preparação de churros.

Origem

A origem do doce de leite é incerta, mas está ligada à rápida expansão na produção de sacarose de cana-de-açúcar nas ilhas ibéricas atlânticas, no século XV, e no Brasil, América Central e Antilhas a partir do século XVI e à possibilidade de seu uso para preservação do leite. Como primeiro edulcorante de produção em grande escala, o açúcar da cana passa a ser usado na conservação de vários produtos orgânicos, inclusive o leite de vaca ou de cabra, dando origem a produtos similares ao doce de leite atual, pastoso ou sólido, em toda aAmérica Latina e em determinadas localidades ibéricas.
Na Argentina existe um relato popular e lendario que data a sua invenção em 1829. Nessa época estava prestes a assinar um tratado de paz entre o governador Juan Manuel de Rosas e o seu inimigo político Juan Lavalle numa fazenda do governador na localidade de Cañuelas, na perifería de Buenos Aires. Lavalle foi o primeiro a chegar e, cansado, deitou-se na cama de Rosas, ficando dormido. A criada de Rosas, enquanto fervía o leite com açucar (preparação conhecida nessa época como 'lechada') para acompanhar o chá da tarde, encontrou-se com Lavalle dormindo na cama do patrão. Ela considerou uma insolência e foi avisar os guardas.
Pouco tempo mais tarde chegou Rosas, quem não ficou chateado com Lavalle e pediu à criada o chá com leite. Ésta lembrou nesse momento que tinha abandonado o leite com açucar ao fogo, deixando esquentar durante muito tempo. Ao regresar, a criada encontrou uma sustancia espessa e amarronada. Seu sabor agradou Rosas e contam que compartilhou o doce com Lavalle enquanto discutiam os pontos do tratado, dando assim origem acidental ao doce de leite. Sim bem é uma historia simpatica, não há nada que comprove isso.
As variações mais comuns são a pastosa e a sólida (que pode ser cortada em barras ou pedaços), que se diferenciam por sua consistência.

Variações regionais

No Brasil, o doce é produzido em escala industrial por todas as empresas beneficiadoras de laticínios. A produção artesanal é comercializada por pequenas marcas (principalmente no estado de Minas Gerais). Na Argentina, as marcas mais populares são La Serenísima e Gándara. Já na Venezuela, o doce é tradicionalmente feito na cidade de Coro, onde é vendido puro ou com chocolate (dulce de leche con chocolate). No Uruguay, pais produtor de excelentes laticínios, as marcas tradicionais são o ConaproleLa PataiaLos Nietitos,RicolesoMajarClaldy, entre outros.
No México, ele é chamado de cajeta por associação às pequenas caixas de madeira nas quais o doce é vendido. Nesse país, o doce é feito com metade de leite de vaca e metade de leite de cabra.
Recentemente, o doce de leite ganhou popularidade nos EUA, graças ao lançamento de um sorvete de doce de leite pela empresa Häagen-Dazs em 1997. É o terceiro sabor mais vendido pela empresa, atrás apenas de baunilha e de Fudge Ripple.
Na França, a confiture de lait é também muito popular, espacialmente na região Normandia. Pode ser aromatizada com avelinas ou chocolate.
Fonte: Wiki        O delicioso Doce de Leite brasileiro, você encontra em: www.casagrandeesenzala.com

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Cocada


Cocada é um doce tradicional de Angola e típico no Brasil feito a base de coco. A maior incidência desse doce é no nordeste brasileiro, devido a facilidade de encontrar sua principal matéria-prima, o coco. As receitas variam, mas em geral levam gemas, leite e coco ralado. Algumas receitas utilizam leite condensado, rapadura, leite-de-coco e coco ralado queimado.
Para dar sabores variados a cocada, são usadas polpas de frutas.
Em Angola a variante mais consumida é a Cocada Amarela.

Cultura popular

Na cultura popular, quando alguém se acha muito importante, é dito que ele(a) é (ou se acha) o "rei" ou a "rainha da cocada preta". No Candomblé e culturas afros, a cocada branca é denominada "Santo Antônio", e assim solicitada nas bancas espalhadas pelas calçadas de Salvador (Bahia).

Você encontra cocada e outros delícias brasileiras em: www.casagrandeesenzala.com

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Xilogravura

A história da xilogravura no Ocidente acompanha o desenvolvimento das artes gráficas e os esforços de popularização do conhecimento, contra o poder e a escassez de recursos. Na Europa Medieval, a imprensa nasceu totalmente xilográfica e barateou os primeiros livros impressos como a bíblia dos pobres. O jogo de baralho foi democratizado pela fabricação clandestina das cartas até então luxuosas e só permitidas à nobreza e ao alto clero. Só no século XV, essa técnica milenar chinesa foi promovida à categoria das artes plásticas.

No Brasil, trazida pelo colonizador português como arte utilitária, a xilografia era uma atividade ilegal até encontrar abrigo na tardia imprensa oficial do Império. No final do séc. XIX, quando as elites nacionais da produção editorial passaram a utilizar os clichês de metal e a modernizar os meios de reprodução, os prelos obsoletos tornaram-se acessíveis aos pequenos empreendedores que viabilizaram os negócios de tipografias espalhadas pelo interior do país. Longe dos grandes centros, o corte na madeira era economicamente viável para essas tipografias. A xilogravura, então, volta a esculpir as matrizes dos cabeçalhos de periódicos, almanaques, rótulos de embalagens e anúncios publicitários. Mas é a partir da década de 30, do séc. XX, com o fenômeno da literatura de cordel, que a xilogravura encontra a autêntica expressão brasileira. Essa poesia do povo impressa, vinda da tradição oral, dos antigos menestréis, trovadores e jograis - que herdamos da Península Ibérica -, teve no Nordeste, um terreno propício para criar raízes. Adquiriu características próprias ao traduzir "cantigas de amor e de personagens de além mar" para a realidade de nossa terra. Pelas mãos de artesãos do povo, o sobrenatural e o fantástico, os fatos acontecidos, os atos de bravura e de amor, o cangaço, as personalidades religiosas e políticas, enfim, a realidade e o imaginário sertanejos foram talhados à exaustão para cristalizar em imagem a narrativa do cordel nas capas dos folhetos. Na década de 60, a xilogravura popular começa a ganhar admiradores do mundo acadêmico, repercussão internacional e finalmente chega às galerias de arte. Conquista novo público e status de arte independente.

Ao contrário da xilogravura erudita, com vasta historiografia e que registra como pioneiro no Brasil Oswaldo Goeldi, em 1924, os primeiros gravadores populares brasileiros eram anônimos. Poucos escaparam do esquecimento, como mestre Noza e Walderêdo Gonçalves.

Hoje, com uma trajetória incontestada de mais de dois séculos no Brasil, a xilogravura ainda é pouco conhecida pelos brasileiros. A maioria dos representantes populares espalhados pelo país faz xilogravura por teimosia, à revelia das instituições. Apesar desses artistas começarem a utilizar novas tecnologias como computador, scaner e Internet, eles contam mesmo é com a criatividade diante das dificuldades materiais, munidos de prego, estilete, apetrechos de cozinha, para talhar as autênticas "telas" de madeira.
Esdra Campos - jornalista e pesquisadora do projeto Xilobrasil que visa o mapeamento da xilografia popular brasileira.








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